Entrevista com “Alex Turner” do Arctic Monkeys

Eles todos realmente vieram assistir, né?!

Alex Turner, frontman do Arctic Monkeys, brinca com um Marlboro Lite e vira o maço para evitar o aviso de “FUMAR MATA” o encarando de cima da mesa em uma sala do TD Garden, em Boston. O fato de que Alex está acendendo um cigarro é um pouco surpreendente, considerando a facilidade com a qual ele berrou na noite anterior tanto os refrãos exaltados e encorpados dos hits de sua banda (“Fluorescent Adolescent”, “I Bet You Look Good on the Dance Floor”), quanto das canções mais sombrias (“Crying Lightning”, “Library Pictures”) para uma casa lotada no Cumberland County Civic Center, em Portland, Maine.

É desse show que estamos falando – não das 20 mil pessoas que ele está prestes a “aquecer” (como diz ele) para o Black Keys, para quem o Arctic Monkeys está abrindo shows durante uma agressiva turnê que está lotando arenas e anfiteatros pelos Estados Unidos.

Ao longo de um set de uma hora, os colegas de banda Turner, Jamie Cook, Nick O’Malley e Matt Helders pularam, se atiraram, se jogaram de joelhos e depois se reergueram novamente, antes de chegarem ao último acorde e começar tudo de novo – tudo isso enquanto carregavam o peso de duas guitarras, um baixo e uma bateria. É esse show energético que eles trarão ao Brasil na segunda noite do Lollapalooza Brasil, no mês que vem.

Quais faixas foram especialmente boas no show no Cumberland?
Tem uma nova que estamos tocando chamada “R U Mine”, que começamos a apresentar há duas noites somente. Ontem, o público estava ótimo para tudo. Eu nunca tinha estado em Portland, mas eles estavam realmente empolgados para o show.

Vocês estão fazendo 17 shows em 22 dias no primeiro braço da turnê El Camino. Como conseguem a energia necessária para segurar uma performance daquelas toda noite?
É só uma hora e 20 minutos por noite, então você pode ser um tédio o resto do tempo [risos]. Nesta turnê, nosso set não é nem de uma hora. De certa forma, fica mais fácil, suponho. Tentamos ir dormir cedo de vez em quando, ainda não conseguimos, mas só se passaram quatro dias até agora. Fomos ver o Dirtbombs em Detroit no último sábado. Além disso, frequentemente ficamos jogando ou fazendo coisas assim depois do show.

Qual foi a coisa mais estranha que aconteceu com vocês em turnê?
As coisas mais interessantes não devem ser mencionadas no seu gravador, claro [risos]. É estranho quando pessoas que em um milhão de anos você não esperaria ver ali vão aos seus shows. Há algum tempo, David Bowie apareceu na primeira vez em que tocamos em Nova York. Eu realmente aprendi o que o termo “starstruck” [algo como ficar embasbacado ao ver uma celebridade] quer dizer naquele momento. Eu avistei Diddy bem na nossa frente, em outro show de Nova York. Foi um momento surreal. Eu não esperava vê-lo bem ali – foi muito legal, na verdade. Tem sido um ano incrível, estará tudo na minha autobiografia [risos].

Vocês ainda incorporam um punhado de músicas antigas do grupo no show. Esses bebês de vocês cresceram um pouco. Acham que algumas faixas são mais representativas do som de vocês ao vivo do que nos discos?
As canções que tocamos dos primeiros discos – “Dance Floor”, “Crying Lightning” – são aquelas que cresceram e estão de barba agora [risos]. Eu não sei o que acontece entre as músicas, mas algumas delas parecem ter pernas e outras parecem não ter. Algumas faixas são muito específicas, acho que em termos de letras, e tenho dificuldade em me colocar naquele papel de novo para poder cantá-las. Tem uma do segundo disco, “This House Is a Circus”, que dá a sensação de ser uma tradição. Tem outra – que acredito que seja mais nova – chamada “Evil Twin” que é o lado B de um dos singles, e que sempre fica muito boa ao vivo. Eu amo a gravação dela, mas sempre ganha uma boa reação no show.

Estão tentando compor enquanto viajam?
Um pouco. Eu não tento compor na estrada, geralmente. Acho que vou tentar, desta vez, para variar. Costumo chegar em casa depois e perceber que está tudo ruim, então não compus mais. A gente faz algumas coisas de brincadeira na passagem de som, mas não estou trabalhando com um prazo e não é como se precisasse compor. Embora eu queira me adiantar para a próxima vez [que for gravar um disco].

Por fim, se não se importar de eu perguntar – o que raios você usa para ficar com esse cabelo?
[Risos] Temos alguns tubos de pomada circulando no backstage.

Você se arremessou de cima da bateria depois de tocarem duas músicas e seu cabelo nem se mexeu.
Eu acho que ele deu uma abaixada, sim.

Posted : Revista Rolling Stones

Redator : @Wilson_Sartori

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