Dave Grohl: “não sou o Yngwie Malmsteen ou o John Bonham”

A mensagem abaixo foi publicada por Dave Grohl, do FOO FIGHTERS:

Oh, que noite nós tivemos no último domingo, na 54ª cerimônia anual do Grammy. Luxo! Glamour! TRAQUINAGENS! Por onde começo? Trocar uma ideia com o Lil’ Wayne… Conhecer a mãe adorável da Cyndi Lauper… O bracelete-cortesia do Coldplay que piscava… Muita coisa para lembrar. Ainda está meio confuso na minha cabeça. Mas, se há uma coisa que eu me lembro BEM claramente, foi quando aceitamos o Grammy por Melhor Performance de Rock… E então eu disse isso:

”Ganhar esse prêmio mostra que o elemento humano de fazer música é o mais importante. Cantar no microfone, aprender a tocar um instrumento, aprender a tocar sua porcaria, isso é a coisa mais importante. Não é ser perfeito, ser absolutamente correto. É sobre o que acontece aqui (aponta no coração) e aqui (aponta para a cabeça).”

Não foi tão bom quanto o discurso “Gettysburg Address” de Abraham Lincoln, mas hey… Eu sou um baterista, lembra-se?

Bem, eu e minha boca enorme. Nunca faça um discurso de recepção de algo por 33 segundos com tanta exaltação como a minha pequena ode às gravações análogas foi feita. OK… Talvez o Kanye (West) ganhe de mim nesta, mas… Vou deixar você terminar… Só queria esclarecer uma coisa…

Eu amo música. Amo TODOS os tipos de música. De Kyuss a Kraftwerk, Pinetop a Prodigy, Dead Kennedys a Deadmau5… Eu amo música. Eletrônica ou acústica, não importa pra mim. O simples ato de criar música é um presente lindo que TODOS os seres humanos são abençoados por terem. E a diversidade de personalidades de um músico para o outro é o que faz a música tão excitante e… humana.

É exatamente a isso que eu estava me referindo. O “elemento humano.” Aquela coisa que acontece quando uma música acelera ligeiramente, ou um vocal fica um pouco mais forte. Aquela coisa que faz com que as pessoas soem como PESSOAS. Em algum lugar ao longo do caminho aquelas coisas se tornam coisas “ruins” (Dave está se referindo a possíveis falhas que acontecem nas músicas quando estão sendo gravadas), e com os grandes avanços da tecnologia de gravação digital ao longo dos anos, elas se tornaram facilmente “consertadas.” O resultado final? Em minha humilde opinião… Um monte de músicas que soam perfeitas, mas não têm personalidade. A única coisa que torna a música tão excitante em primeiro lugar.

E, infelizmente, alguns destes grandes avanços não têm se focado na técnica da performance. Olhe, eu não sou o Yngwie Malmsteen. Não sou o John Bonham. Inferno… Não sou nem mesmo o Josh Groban, aliás. Mas eu tento o máximo possível, então eu não tenho que depender de nada além das minhas mãos e do meu coração para tocar uma música. Eu faço o melhor que posso dentro de minhas limitações, e aceito que aquilo é a minha cara. Porque é isso que eu acho mais importante. Deve ser real, certo? Todo mundo quer algo real.

Eu não sei fazer o que o Skrillex faz (embora eu ame pra caralho) mas eu sei que a razão pela qual ele é tão amado é porque ele soa como Skrillex, e isso é foda. Nós temos um processo diferente e um conjunto diferente de ferramentas, mas a “técnica” é igualmente importante, tenho certeza. Digo… Se fosse tão fácil assim, qualquer um poderia fazê-lo, certo? (Vê o que eu fiz lá?)

Então, não me dê dois Crown Royals e me peça para fazer um discurso no seu casamento, porque provavelmente eu só vou aproveitar as vantagens de gravar em uma fita de 2 polegadas.

Agora, acho que preciso ir gritar com algumas crianças para que elas saiam do meu gramado.

Se cuidem.

Matéria original: foofightersbr.com  e whiplash.net

 

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